Anjos Quânticos

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Uma comparação

Lapsos são como laços, que nodulam o momento.

Instinto huma(nimal)


Falsas, santas as corroborações, teorias e dilemas.
E, no entanto, o instinto humano perfaz-se tosco.
Palavra-grito, na hora do gozo.

Afro-sambas da minha demência


A toalha com torrada chacoalha na toada nordestina / dança caboclo, dança menina / a toalha roda, roda e chacoalha / um movimento de cores na retina.
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O João Capulê pula o cordão / ele pula, pula maquê / ele salta, ele gira / o João Capulê dança o baque do tamborim / ele salta, ele gira / Capulê, João pula e salta num movimento sem fim.
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Timba maquê / mexe no cassulê / ginga no seu balanço / sente o ritmo do gingado / Timba maquê / bota mais sal e dendê / no seu balançar de menino.
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Pega na vida, ô menino / como o pai pega o timão / navega na vida, ô menino / vê o seu balançar / Dança o viver, vive a dançar / Nego que sai da roda da vida / Nunca aprende a amar.

Pensar demais


Eu quero me permitir, quero me deixar levar por inteiro. Quero ser meu guia, sem culpa nem receio de sentir. Não me preocupo mais com o passado nem com o futuro, preocupo-me com o segundo (aquele que passa enquanto se pensa).

Pensar? Eu gosto. Mas tomo cuidado com o pensar demais. O pensar demais emburrece o espírito, ávido pela vida. Pensar demais empobrece o desejo e minimiza o prazer. Pensar demais potencializa os demônios e constrói a dor, fabrica o sofrer.

O lema do dia é "permitir-se". Não remoa, não tolere, seja franco com a pessoa mais importante do mundo: você.

A "mídia consciência"


As mídias estão ficando claustrofóbicas. De nossa mente é cobrada a verdadeira expansão. O intumescer da consciência cósmica para a explosão de ritmos frenéticos de ideais diários nascidos da necessidade de apenas ser.

A mídia consciência é o suporte de nossa vanguarda pessoal. Permitir-se é optar pelo viver, e não pelo sobreviver. Os porões do conservadorismo estão todos cheios de breu e reticências... O que eu quero é imaginar a vida, criar minha casa na folha de Universo onde eu possa redescobrir a mim mesma. O que eu quero é me ultrapassar, mas num ritmo em que eu consiga me acompanhar.

Medo


O medo é o orgulho precoce e inerente a natureza humana que, por muito ser – humano – ainda não aprendeu a aceitar a rejeição.

Seriam nossas ações o anti-palíndromo da vida?


O tempo maratonista corre pelos dias levando um pouco de nós a cada respiro, seja ou não o seu inspirar um breve momento de inspiração. Pisar a terra não é necessariamente senti-la. Para isso é preciso que seus poros estejam acordados. Enxergar a lua não significa absorver de fato a sua luz. Nossos olhos são sensíveis às intempéries luminosas, mas capazes de dialogar com o invisível, o cósmico. Assim é para tudo o que experimentamos.

...

Onde há desejo, há verdade e onde há pureza, há liberdade. Só conseguiremos alcançar o próximo patamar de humanidade quando aprendermos o valor de um querer puro.

Constatação


Sentir a dinâmica da vida não é fácil: um giro forte a cada ciclo que se fecha, para o outro iniciar. Como a visão, que se apresenta em outros tons a cada piscar de olhos, a vida renasce a cada desejo de renovação, no tempo ilusório do nosso oceano de certezas incertas.

Caminhos...


Penso que a vida de todo e qualquer ser humano seja recheada de reentrâncias luminosas que descobrimos a cada mordida do viver. Todo o restante é breu, a anti-luz que nos desorienta. Como um brinquedo, a vida nos entretém com seus momentos de prazer e dor – é claro, com um mecanismo que se configura muito mais complexo que simples baterias ou quaisquer sistemas de molas.

Não apreender e desfrutar das inúmeras situações que a vida nos oferece seria negar viver. Fatalmente ainda assim estaríamos a fazê-lo: não como aprendizes em busca de nossa potencialidade máxima através do exercício constante de exercer a nós mesmos, mas como exterminadores de nossa força singular, rejeitando nossa grandiosidade cósmica.

É preciso valorizar cada respiro, o piscar dos olhos – ainda que molhados pela dor –, o toque suave do vento sobre a pele, os aromas doces dos sabores mais sensuais. E tatear a vida com a força de um cego que reconhece a si mesmo na escuridão, sem perder a doçura como o olhar inocente envolvido pelo encantamento do mágico, no nascer diário de sua dose de ilusão.

Quebra-cabeças

(Breve ensaio de apreensões vivenciais)


É certo que nada acontece por acaso. Minha visão é que, apesar de um Universo de infinitas possibilidades, tudo já está, de certo modo, sabiamente "encaixado", como um enorme quebra-cabeças, o qual vamos construindo conforme nossa vida passa. Isso quer dizer que seria possível trilharmos caminhos diferentes de acordo com nossas escolhas durante a vida – caminhos que aqui poderíamos denominar "peças". Tais "peças" já seriam pré-definidas por um complexo sistema organizacional capaz de englobar todas as dimensões e possibilidades quânticas numa só estrutura.

No momento em que nos foram dadas todas essas peças (provenientes de alguns bilhões de "jogos da vida" particular) - as quais somos plenos detentores -, temos então a ilusão de nos lançar em situações das quais sentimos um poder (quase) absoluto. De fato, teríamos a capacidade de criar combinações de toda sorte, construindo interessantes complexos, porém todas essas inúmeras peças agregadas e suas inúmeras combinações, já nos seriam fornecidas.

Nunca chegaríamos, entretanto, a visualizar toda a magnitude desse complexo, uma vez que, ao montarmos cada qual nossa rica estrutura, conectando os mais diversos tipos de sentidos (o decorrer de nossas ações), o que fora "descartado" por opção do vivente passaria a não mais atuar no sistema. Isso, obviamente, não significa que essas peças desapareceriam do complexo já criado, elas apenas passariam a ser inoperantes, orbitando a estrutura concebida e podendo, inclusive, ser reoordenadas, encaixando-se de outros tantos possíveis modos.

A visão de um sistema macro como "fonte" da geração de toda essa gama de possibilidades que gerariam estruturas de vidas tão divergentes não torna-se, pois, fatalista uma vez que, apesar de sermos todos detentores desses mesmos bilhões de jogos, operaríamos as peças cada qual com sua energia interna, as estruturas concebidas por cada vivente seria única, uma vez que cada qual teria poder para estabelecer suas próprias conexões. Sendo assim, o fator determinante para a vida de cada vivente seria ele mesmo.